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Cefaléia (dor-de-cabeça)

Migrânea (enxaqueca)

         A enxaqueca é uma doença caracterizada por crises de cefaléia (dor-de-cabeça) que tipicamente é apenas de um lado da cabeça e acompanhada por náuseas, tonteira, intolerância à luz, barulho, odores e piora com a atividade física, sendo que nem todas as características precisam estar presentes.  É mais comum em mulheres e ocorre com maior frequência entre 30 e 39 anos de idade.

    Não há uma causa definida para a enxaqueca. Admite-se haver interação entre a predisposição proporcionada por múltiplos genes com fatores do estilo de vida da pessoa que facilitam a ocorrência de crises como privação do sono ou jejum prolongado.

         A enxaqueca pode  ser  dividida  entre  com  ou  sem  aura e entre episódica (<15 dias de dor por mês) e crônica (15 ou mais dias de dor por mês). A enxaqueca com aura ocorre em cerca de 25% dos casos e é caracterizada pela presença da aura, que ocorre logo antes da dor aparecer ou junto dela. Elas afetam uma função neurológica e a mais comum é a visual, que se manifesta como uma mancha circundada por formas geométricas (espectro de fortificação) em algum dos campos visuais e que pode se expandir gradualmente até deixar a visão de olho de um ou dos 2 olhos completamente turva. Tipicamente a alteração visual dura entre 5 e 60 minutos e melhora espontaneamente. Existem ainda outros tipos de aura com a mesma relação cronológica com a cefaléia: sensitiva (formigamento que se espalha pelo braço e pela boca), gustativa (percepção de gostos) e outros tipos que se confundem com AVCs como a de linguagem (incapacidade de organizar as palavras na hora de fala) e a motora (fraqueza de um lado do corpo).

     Na avaliação  médica, o diagnóstico é realizado através da presença de crises de cefaléia com as características típicas + exame neurológico sem alterações. Em alguns casos como idade avançada ou características atípicas, deve-se lançar mão de exames complementares como exame de imagem (ex.: ressonância magnética de encéfalo), exames de sangue, exames do líquido da coluna, para afastar outras causas.

         O tratamento pode ser dividido no sintomático (para abortar as crises) e no preventivo (para prevenir ou reduzir a frequência das crises). No caso do sintomático, usa-se analgésicos comuns (dipirona, paracetamol), anti-inflamatórios não esteroidais (ex.: naproxeno, ibuprofeno, ...), triptanos e ergotamínicos. No caso do preventivo, temos as medidas não farmacológicas (comportamentais) e as farmacológicas (usadas nos casos com frequência mais alta de crises ou que gerem mais impacto na vida do paciente).

        As medidas comportamentais   são   fundamentais para o controle da enxaqueca e envolvem:  evitar o jejum prolongado (comer de 3/3 horas) e alimentos envolvidos com as crises dos pacientes (leite ou derivados, vinho, chocolate,...), realizar atividade física regular e adotar horários fixos para dormir e acordar além de beber água regularmente. Outro cuidado a ser sempre enfatizado é o de evitar o abuso de analgésicos, que pode tornar as crises mais frequentes e mais resistentes à medicação. No tocante ao tratamento preventivo medicamentoso, existem várias opções (topiramato, amitriptilina, venlafaxina, propranolol, anticorpos monoclonais, Botox,...) e a escolha é feita de acordo com as características do paciente.

 

Referências:

Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia 2018 Jan;38(1):1-211.

Ashina M. Migraine. N Engl J Med. 2020 Nov;383(19):1866-1876.           

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