Transtornos de movimento
Doença de Parkinson
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa em que há um parkinsonismo de origem idiopática (sem causa) e que acomete cerca de 1-2% dos indivíduos com 60 anos ou mais com predominância em homens em alguns estudos. O parkinsonismo é uma síndrome caracterizada por bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez dos membros, tremor de repouso (presente com o membro relaxado) e alteração de marcha (lenta com tronco inclinado, movimentos pobres dos braços, dificuldade para virar e momentos em que uma das pernas trava). Além das manifestações motoras da doença, pode haver outros sintomas que aparecem vários anos antes como anosmia (perda do olfato), constipação intestinal e transtorno comportamental do sono REM, condição em que o paciente se movimenta e fala no sono como se estivesse atuando no próprio sonho. Outros sintomas que também podem surgir após os sintomas motores incluem alucinações visuais, hipotensão postural, perda cognitiva).
O diagnóstico é realizado através da história clínica e do exame físico que mostram uma síndrome parkinsoniana típica e da exclusão de outras causas de parkinsonismo. Esta exclusão é feita através da checagem da ausência de características atípicas para a doença de Parkinson como quedas precoces e irresponsividade ao tratamento no início da doença. Exames complementares como ressonância magnética de encéfalo, SPECT e exames de sangue são usados em casos selecionados.
A doença não tem cura e o tratamento é focado nos sintomas. No caso das manifestações motoras, lança-se mão da levodopa, dos agonistas dopaminérgicos, dos inibidores de COMT, entre outras classes de medicamentos. Cada medicação deve ser introduzida de forma lenta para se obter a melhora resposta com o menor índice de efeitos adversos, entre os quais, se encontram náuseas, falta de apetite, alucinações, discinesia (movimentos involuntários 2ários à medicação). O objetivo inicial é a melhora completa dos sintomas, mas isso nem sempre é possível em função dos efeitos colaterais que impedem o aumento da dose e da progressão da doença. Em alguns casos em que o tratamento medicamentoso é dificultado pela discinesia, se realiza abordagem cirúrgica com a estimulação intracraniana.
Referências:
Olanow CW, Stern MB, Sethi K. The scientific and clinical basis for the treatment of Parkinson disease (2009). Neurology 2009 May 26;72(21 Suppl 4):S1-136.
