Demências
Doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência e sua prevalência aumenta com a idade. O sintoma que se destaca no início do quadro é a chamada amnésia anterógrada episódica, ou seja, o esquecimento de fatos e detalhes do dia-a-dia. Ela pode ser notada de várias formas como a perda frequente de objetos na casa, a repetição de perguntas, a incapacidade de se lembrar de nomes e do que se acabou de fazer. A memória em relação a coisas do passado e dados pessoais relevantes (RG, endereço, nome de parentes próximos) costuma ficar preservada no início.
Com o passar do tempo, a perda de memória se agrava e o paciente passa a depender dos familiares para algumas atividades mais complexas como manejo de medicamentos, deslocamento na rua, compras e pagamento de contas. Outras funções cognitivas também são afetadas e a paciente perde a capacidade de se orientar no tempo e no espaço e começa a ter dificuldade para organizar e planejar as próprias tarefas e tomar suas decisões. Episódios de agitação psicomotora são comuns pela própria incapacidade de lembrar de fatos recentes, incluindo a morte de parentes.
Com o avançar da doença, o paciente fica cada vez mais apático e passa a depender dos familiares para atividades de cuidado pessoal, pode ter incontinência urinária e necessitar de fraldas além de ter dificuldade para se comunicar com os familiares e se locomover menos, ficando, no final, mais acamado.
O diagnóstico é feito basicamente pela história clínica e por testes cognitivos objetivos atestando o declínio cognitivo com predomínio de memória recente e a dependência para atividades de vida diária. Em geral, são realizados alguns exames de sangue e um exame de imagem do crânio para excluir as causas reversíveis de demência. Nos casos em que há dúvida diagnóstica e dificuldade na diferenciação de outras causas degenerativas de doença, pode-se lançar mão do exame do líquor.
A doença não tem cura e o tratamento é focado principalmente no manejo dos sintomas. Existem assim medicações que atuam na melhora da memória (ex.: galantamina, rivastigmina, donepezila) e a memantina, que é usada nos casos de demência moderada a avançada e ajuda na apatia. Outras medicações são usadas para depressão e de insônia (antidepressivos), para o controle da agitação psicomotora (neurolépticos), entre outras. O suporte multidisciplinar com a Fisioterapia, a Nutrição, a Terapia ocupacional e a Fonoaudiologia pode ajudar em alguns casos mais avançados. Existe alguma evidência científica de que a suplementação vitamina E pode reduzir a progressão nos casos iniciais e ela pode ser avaliada em alguns casos. Há ainda outra droga que foi aprovada nos EUA pelo FDA, mas ainda não pela Anvisa. Trata-se do adacanumabe, que foi demonstrado diminuir a progressão em alguns casos de demência leve por doença de Alzheimer, mas não em todos os estudos (evidência controversa).
Referências:
Frota RNA, Siqueira Neto JI, Balthazar MLF, Nitrini R. Neurologia cognitiva do envelhecimento: do conhecimento básico à abordagem clínica. São Paulo: Editora e Eventos Omnifarma; 2016.
