Cefaléia (dor-de-cabeça)
Cefaléia em salvas
A cefaléia em salvas é um tipo de cefaléia primária, ou seja, é a doença em si e não há lesão ou enfermidade que a ocasiona. É cerca de 4 vezes mais comum em homens que em mulheres e tem prevalência de cerca de 124 casos por 100000 habitantes.
As crises típicas são caracterizadas por dor intensa em volta do olho e/ou na testa logo cima e/ou na têmpora de um lado da cabeça com duração de 15 a 180 minutos. A dor deve estar associada a inquietude/agitação ou a algum sinal autonômico (olho vermelho ou lacrimejamento, nariz entupido ou coriza, inchaço da pálpebra ou da testa, rubor da testa/face, sensação de ouvido tampado, pálpebra caída ou constrição da pupila). Essas crises ocorrem de 1 vez a cada 2 dias até 8 vezes por dia.
De acordo com padrão de ocorrência das crises, a cefaléia em salvas pode ser classificada em 2 tipos: episódica (períodos de salvas de 7 dias até 1 ano em que as crises ocorrem e separados por remissões de pelo menos 1 mês em que o paciente fica assintomático) ou crônica (mais de 1 ano de crises ininterruptas ou menos de 1 mês em que o paciente fica sem sintomas).
Para o diagnóstico, devem ter ocorrido pelo menos 5 crises típicas e devem ser excluídas outras doenças através da avaliação clínica (história + exame neurológico) e da ressonância magnética de crânio.
O tratamento se divide em abortivo e preventivo. O abortivo tem como objetivo tirar o paciente da crise e é feito através de O2 por máscara facial a 100% (realizado em ambiente intra-hospitalar), sumatriptano subcutâneo ou intranasal, zolmitriptano intranasal. O preventivo é usado para evitar ou reduzir a frequência de crises no período de salvas e é usado em todos os casos. São usados medicamentos como corticóides, verapamil além de procedimentos como bloqueio de nervos occipitais.
Referências:
Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia 2018 Jan;38(1):1-211.
Hoffmann J, May A. Diagnosis, pathophysiology, and management of cluster headache. Lancet Neurol 2018 Jan;17(1):75-83.
